Nesta sexta-feira, 13, o DJ e produtor colombiano Jhonatan Ospina joga mais uma carta na mesa. "Time Warp" chega com a proposta de fazer o tempo perder o sentido dentro da pista — e entrega exatamente isso.

A faixa é techno peak-time com uma pegada mais solta, quase brincalhona, que foge do peso excessivo que o gênero às vezes carrega. Ospina define bem: "O conceito é mais divertido, mais raver, e começa a mostrar a direção do som que venho construindo e estruturando recentemente." É uma declaração de intenções sobre onde ele está indo — e o caminho parece bastante animador.

Tecnicamente, a produção aposta na clareza. Nada de camadas em excesso ou efeitos pelo efeito: são batidas firmes, timbres bem posicionados e um fluxo hipnótico que cresce sem que você perceba. Tem groove tribal, tem a pulsação daquele momento específico da madrugada em que a energia da pista atinge o pico, e tem uma sensação contínua de movimento que não larga o ouvinte. É o tipo de track que você não precisa entender — só sentir.

Um dos detalhes mais interessantes é o tratamento dado à voz. Em vez de usar o vocal como elemento narrativo, Ospina o fragmenta: o título "Time Warp" aparece inteligível no meio da mix, enquanto o restante das frases se dissolve, abrindo espaço para cada pessoa interpretar o que quiser. Menos explicação, mais imersão. Funciona.

"É uma track pensada para aqueles momentos da noite em que a música assume o controle e a experiência se torna puramente sensorial", explica o produtor. Difícil discordar depois de ouvir.

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"Time Warp" aparece num momento interessante da trajetória de Ospina. Após um ano com lançamentos expressivos, presença internacional e projetos conceituais, a faixa funciona como uma virada de chave: mais raver, mais física, mais focada na energia coletiva. Sem perder identidade, ele afina o olhar para o coletivo da pista.

Nascido na Colômbia e baseado nos Estados Unidos, Ospina é figura frequente no circuito de São Paulo e um dos nomes mais consistentes do techno global hoje. Seu diferencial não é só sonoro: o cara toca theremini — um synth moderno da Moog inspirado no histórico theremin — em sets híbridos que já passaram pelo Centro Cultural Vila Itororó e pelo Theatro Municipal.

Na discografia recente, estão faixas como "Space" pela Kollektiv Black; "Addicted to You", collab com Cris Piza; e "Mistery" pela Cactunes Records, cujo clipe foi premiado no Miami Street International Film Festival, no Rome Prisma Film Awards e no New Jersey Film Awards — além de selecionado para Berlin, Tokyo e New York. Pela OMNES Records, "Awakening" entrou no Top 20 de Hype Melodic House & Techno no Beatport, e "Be Free" bateu Top 100 na mesma categoria, com três artistas plásticos traduzindo o conceito do som em imagens.

"Time Warp" não é uma faixa que explica o que faz com você. Ela simplesmente faz. E na pista, esse é o maior elogio possível.

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