Chang Rodrigues abre um novo capítulo de sua trajetória com “After Ruins”, álbum lançado nesta quarta-feira, 12, pela Detroit Underground. O trabalho reúne sete faixas desenvolvidas entre 2022 e 2025 e funciona como um retrato de diferentes fases do processo criativo da artista brasileira, conectando passado, transformação e os caminhos que surgiram depois de “Ruínas”, projeto apresentado em 2022.
Radicada em Berlim desde 2025, Chang vive atualmente uma fase de expansão internacional. No dia 20 de agosto, a artista leva seu live para a HÖR Berlin, uma das plataformas mais reconhecidas da cena eletrônica mundial. A apresentação chega em um momento importante de sua carreira, acompanhando a construção de uma nova linguagem baseada em síntese modular, hardware e performance ao vivo.
Apesar da relação direta no nome, “After Ruins” não foi pensado como uma continuação literal de “Ruínas”. O álbum parte justamente da ideia do que acontece depois de uma transformação. As sete faixas foram criadas em períodos diferentes, mas encontraram uma conexão quando Chang decidiu reuni-las em um mesmo trabalho.
“Eco”, “Travessia”, “Horizonte”, “Deriva”, “Forma”, “Passagem” e “Sinal” formam uma sequência que sugere deslocamento, mudança e continuidade. Os próprios títulos ajudam a criar uma narrativa sobre diferentes estados e momentos, estabelecendo uma ligação entre o conceito do álbum e o processo vivido pela artista ao longo desses anos.
“As músicas foram produzidas em momentos diferentes, mas todas contam a mesma história. ‘After Ruins’ nasceu da necessidade de reuni-las em um único trabalho. É um álbum sobre transformação, sobre aquilo que permanece depois das mudanças e sobre como o tempo também faz parte do processo criativo. Sinto que ele encerra um capítulo importante da minha trajetória e abre espaço para uma nova fase da minha jornada musical”, explica Chang Rodrigues.
A passagem do tempo também pode ser percebida na maneira como o álbum foi construído. Sintetizadores analógicos, sequenciamento em hardware e drum machines ocupam papel central na produção, enquanto samples e recursos digitais aparecem pontualmente. O resultado registra não apenas uma estética sonora, mas também a evolução da própria metodologia de Chang dentro do estúdio. As faixas trabalham graves marcantes, estruturas progressivas, repetição e alterações sutis. Em vez de apostar em viradas abruptas, Chang desenvolve a tensão aos poucos, explorando timbres, texturas e pequenas mudanças como ferramentas para manter o movimento. É uma abordagem que conecta experimentação e pista de dança sem perder o caráter autoral do projeto.
O lançamento pela Detroit Underground também coloca “After Ruins” em diálogo com um catálogo historicamente associado à pesquisa sonora e às diferentes possibilidades da música eletrônica. Para Chang, o álbum representa ainda uma ponte entre sua trajetória construída no Brasil e o novo momento vivido em Berlim.
A conexão entre música, conceito e identidade visual acompanha a artista há anos. “Ruínas”, lançado em 2022, marcou uma mudança importante em sua direção criativa e aprofundou uma abordagem que vai além da produção musical convencional. A relação de Chang com sintetizadores e sistemas modulares começou ainda antes. Em 2016, a artista adquiriu seu primeiro sistema modular e passou a desenvolver uma pesquisa própria envolvendo síntese, equipamentos analógicos, improvisação e experimentação.
Esse processo ganhou atenção internacional em 2021, quando a FACT Magazine apresentou o trabalho de Chang no documentário “Chang Rodrigues on How Analog Synthesis, Nature and Ruins Inspired Her Live Act”. Na mesma época, a artista também participou da série Patch Notes com uma performance. Em 2022, levou seu live ao Rock in Rio, enquanto sua relação com equipamentos, síntese e produção foi explorada pela Electronic Beats em um episódio da série Tech Talk, gravado em seu home studio.
Agora, ao reunir materiais produzidos ao longo de três anos, “After Ruins” funciona como uma espécie de ponto de passagem. O álbum encerra uma etapa iniciada com “Ruínas”, mas também aponta para o que Chang Rodrigues vem construindo em Berlim: uma pesquisa cada vez mais conectada entre performance, síntese modular, tecnologia e as possibilidades contemporâneas da música eletrônica.
